O pós-bug do Ano 2000
Mito ou realidade?
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"O ano 2000 é como uma cebola. À medida que se vai descascando, as camadas de problemas, encontramos por baixo novas camadas de problemas que nos esperam. E, tal como uma cebola, quanto mais descascamos, mais sentimos que vamos chorar" Peter Worral. Mas, afinal, esta profecia concretizou-se e tornou-se no terrível pesadelo que uns queriam fazer crer ou não passou de um fiasco e uma forma de "sugar" subsídios às instituições como outros agora querem fazer crer? O facto de não se terem registado problemas graves em Portugal, como no resto do Mundo, levou muitas pessoas a começarem a questionar se o problema do ano 2000 não terá sido largamente exagerado e se as centenas de milhares de milhões de dólares gastos terão sido bem empregues. Para Mariano Gago, Ministro da Ciência e Tecnologia, tal como para vários especialistas nacionais e internacionais, a ocorrência de inúmeras pequenas falhas, um pouco por todo o planeta, é a prova do contrário. Vejamos... As falhas em Portugal... Dois ventiladores respiratórios tiveram de ser substituídos e um aparelho de monitorização cardíaca no Hospital da Força aérea deixou de funcionar correctamente. O ano 2000 não foi reconhecido por uma aplicação informática de registo da admissão de pacientes usada em algumas unidades hospitalares. O "software" de processamento de salários nos Serviços Sociais do Ministério das Finanças também teve problemas em "reconhecer" o ano 2000. Numa rádio local, falhou o sistema automático de arquivo de programação. E, em alguns restaurantes, as caixas registadoras "recusaram-se" a trabalhar. Resumindo, as falhas encontradas não fizeram parar as empresas, mas poderão contribuir para perdas de produtividade significativas. ... no resto do Mundo... Na Alemanha, um vendedor viu a seu saldo bancário aumentar para mais de 1, 2 milhões de contos, datado de... 30 de Dezembro de 1899. Na Austrália, houve uma falha num sistema portátil de obliteração de bilhetes usados nos autocarros. Na Coreia do Sul, numa maternidade, houve bebés registados com data de nascimento de 1900. Na Dinamarca, o primeiro bebé do ano foi registado como tendo nascido em 1900. Nos Estados Unidos da América, a principal falha parece ter sido a que afectou um sistema de espionagem por satélite do Departamento de Defesa que ficou sem processar dados durante várias horas; no Nebraska, as portas de um edifício federal recusaram-se a fechar e tiveram de ser protegidas por guardas armados. Em França, o "bug" manifestou-se no sistema de satélites militares Syracuse II, ainda que sem consequências operacionais. Em Hong Kong, os sistemas de verificação dos níveis de alcoolemia usados pela polícia local não deixaram os agentes registar datas de nascimento dos condutores. Em Itália, numa pequena cidade, os sinos do campanário de uma igreja, controlados por computador, tocaram às 06h15 na manhã do dia 1 porque o sistema informático tinha regressado a 1980. No Japão, foram detectadas falhas em quatro centrais nucleares, relacionadas sobretudo com o sistema de monitorização. Registaram-se ainda outras pequenas falhas noutros países. ... e, na nossa Faculdade... Já foi "carregar" o seu cartão de fotocópias no piso 0 da Faculdade? E que data lhe mostra a máquina? Pois é, também a nossa faculdade foi atingida pelo Bug. E, neste caso, como na maioria dos outros, o facto de estarmos no ano de 1900 não interfere com o objectivo final que é o de carregar o cartão e tirar fotocópias. A inexistência de grandes (e graves) problemas decorrentes do "bug" lançou a polémica em torno de um eventual "bluff", tendo mesmo algumas pessoas sugerido que se tratou de uma grande fraude inventada por consultores de informática em busca de enriquecimento fácil e com a qual governos de todo o Mundo teria pactuado. Mas, apesar de a percepção popular do problema do ano 2000 ser a da expectativa de um desastre enorme e imediato, muitos observadores informados tinham já avisado que a consequência mais provável era o efeito cumulativo. Portanto, resta-nos somente prevenir atempadamente o próximo grande "bug" informático que será o da passagem para o ano... 10.000. Prepare-se! Paulo Teixeira
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PHEUK OnLine - Jornal de Opinião da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra