Dmitry Shostakovich (1906-1975)

As suas obras principais são as 15 sinfonias, os 15 quartetos e os seis concertos. Mas escreveu óperas, operetas, obras corais, obras para música de câmara, músicas para filmes, bailados e música para piano. Apenas em 1956 abandonou a sua carreira de concertista de piano.

Como muitos artistas Dmitry foi amado e odiado. A sua posição entre o conservadorismo e o vanguardismo académico, vai fazê-lo objecto de críticas dos dois lados.. O peculiar de Dmitry está também no período e no regime em que viveu. Quando Lenine chega à estação de S. Petersburgo, em 17 de Abril de 1917, Dmitry é uma das presenças, entre os vários milhares aí presentes. A música, o cinema, o teatro e a pintura florescem na sua terra. Anatol Lunatcharski, o comissário para a cultura, inaugura um período extraordinário. A lista dos que aí trabalhavam, ou viam de alguma forma o seu trabalho reconhecido fala por si: Meyerhold, Block, Maiakovski, Alban Berg, Hindemith, Prokofief, Stravinsky, Kandinski, Pevsner, Gabo, Klemperer, Bruno Walter, Stokowski, Ansermet, Monteux, Gnesine, Chaporine, Asafief, Chebaline, Vasilienko, Roslavets e Dmitry. A associação do cinema e da música surge com Eisenstein e Prokofief. Dmitry colaborou em mais de trinta filmes ao longo da sua vida. Somou duas críticas dos seus censores e dois prémios do regime e termina a sua carreira sinfónica com o retorno ao tema da Revolução Russa.

Ainda não tem dezanove anos quando compõe a sua primeira sinfonia, em 1925. Quase de imediato dirigida por Bruno Walter e por Stokowski. O pesadelo de Dmitry começa com a sua ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk. O autor considera-a uma sátira trágica que dedica a sua mulher, Nina Varzar, uma física. Após a morte de Lenine, Lunatcharski é afastado. Estreada a ópera em Janeiro de 1934 é um êxito. Mas Staline assiste à representação no Bolchoi em Dezembro de 1935, e não gostou ! De obra-prima passou a mediocridade. Mas apenas a voz Tchulaki se ergue na sua defesa. Em 1937 demonstra publicamente que se submete ao acrescentar como subtítulo da sua famosa 5ª sinfonia "resposta de um artista soviético a críticas justas".

É Professor do Conservatório de Leninegrado e quando em Junho de 1941 se dá a evacuação da cidade perante o avanço das tropas nazis, Dmitry e o seu aluno Fleishman não querem abandonar a cidade e querem pertencer à resistência civil. Por motivos de saúde apenas pode ser bombeiro. Mais tarde evacuado por via área leva consigo a sua ópera maldita e o manuscrito da 7ª sinfonia. Em Março de 1942 a orquestra do Bolchoi dirigida por Samosud executa-a. O concerto é transmitido pela rádio para todo o mundo. Na disputa para a executarem em primeiro lugar fora da União Soviética, nem Toscanini, Stokowski ou Rodzinski tiveram êxito. Wood consegue dirigi-la em Junho em Londres. Ainda nesse mês, Toscanini também a dirige em Nova Iorque.

Se em 1946 era presidente da União de Compositores e em 1947 deputado, em 1948, juntamente com Prokofief, Khatchaturian, Miaskovsky, Chebaline, Kabalevski e Popof era acusado de aplicar uma tendência formalista e anti-popular musical. Khatchaturian e Chebaline foram os seus defensores. As sinfonias 8ª e 9ª eram as mais perigosas. O compositor ficou proibido de estrear novas obras. Dmitry compõe um Oratório de homenagem à Lei Agrária de Stalin e recebe o prémio Stalin em 1949. A pedido de Stalin visita os Estados Unidos nesse ano.

A sua 10ª sinfonia, estreada em Dezembro de 1953, ano da morte de Stalin, foi outro acontecimento mundial. Em 1958 a sua sinfonia 11ª, composta no ano anterior, leva-o a obter o prémio Lenine. E a partir deste ano as homenagens por todo o mundo sucedem-se. A sua 13ª sinfonia acarreta de novo a ira dos censores ao incluir um poema sobre a chacina de judeus em Kiev. Mas a sua importância interna e externa e o seu passado durante o regime permitiam-lhe a segurança como artista. Embora bastante diminuído pela doença não para de compor. Datam da segunda metade dos anos sessenta as composições para David Oistrach. Em 1969 compõe a 14ª sinfonia, que dedica a Benjamin Britten e em 1971 a sua 15ª sinfonia, e há-de compor praticamente até ao dia da sua morte em 9 de Agosto de 1975. A sua 15ª sinfonia retoma o tema da Revolução Russa.

Em 14 de Maio Michael Stern com a Orquestra Sinfónica da Rádio de Saarbruck executaram a 10ª Sinfonia no Coliseu dos Recreios. Tania Achot com a Orquestra de Câmara de Florença tocou o primeiro concerto para piano em Julho de 1998 no Gil Vicente, na Quinzena de Música de Coimbra.


Páginas de informação valiosa sobre o compositor:

O compositor na Naxos

DSCH JOURNAL Homepage

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